13th March 2009

STF e a morosidade da justiça: e Maluf continua impune

 

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No episódio do CQC (Custe o que custar), o repórter Oscar Filho pergunta a uma transeunte o que ela falaria para o Maluf se estivesse ‘cara-a-cara’ com ele. A entrevistada disse que perguntaria onde o Maluf teria enfiado toda a grana que levou nas obras superfaturadas. O repórter redargüiu: ‘você perguntaria MESMO isso para ele?’, ao que ela respondeu afirmativamente. A parte cômica da situação ficou por conta do fato de que, logo após a afirmativa da moça, ter-se aberto a porta deslizante de um utilitário e de lá saído nada mais nada menos do que a figura ‘quase mítica’ do político e a moça ter ficado ‘ultra-megra’ sem graça.

 

Bom…O episódio bem demonstra como as acusações de corrupção de dito político já se tornaram certezas para o inconsciente coletivo, tanto que em Sampa é corriqueiro o jargão ‘Maluf rouba, mas faz’.

Triste, mas real: Paulo Maluf se tornou uma espécie de ‘ícone máximo’ do político ‘cara-de-pau’, e, para grande parte da população, ícone da corrupção. E, o que me deixa mais ‘pasmada’ é que mesmo tendo a plena convicção de que dito político seja, de fato, corrupto, a população não deixa de elegê-lo para sucessivos cargos públicos. Não sei bem o que isso significa, mas tenho comigo que – ainda que indiretamente – acaba comprovando que cada povo tem os representantes que merece. Saliento que dito político gaba-se de jamais ter sido condenado pela justiça, apesar de ter sido ‘vítima’ de muitas ações neste sentido.

 

Mais uma vez, infelizmente, isso é verdade. Nem mesmo no escandaloso super-faturamento, calculado em R$ 432.500.000,00 (note o número de zeros) pelo TCU, das obras ‘Águas Espraiadas’ e ‘Túnel Ayrton Senna’ resultou em alguma condenação para o político ou aquele outro mais antigo; relativo à doação, com dinheiro público, de veículos para os jogadores trouxeram o ‘canecão’ por ocasião da Copa de 70. É, nesse país compensa mais roubar R$ 432,5 Mi do que potes de manteiga; a probabilidade de ser pego e condenado por este último delito é muito maior!

 

Mas, voltemos ao assunto: a impunidade neste país tem estreita relação com a morosidade da Justiça. O Estado (Poder Executivo) nada faz de efetivo para minimizar o problema em decorrência do fato de que é o maior beneficiário de dita morosidade. Só que tanto o CNJ (Conselho Nacional da Justiça) quanto a mais alta corte do país (STF), finalmente dando ouvidos aos reclamos da Sociedade, têm perdido a paciência com tal situação.

 

Recentemente o CNJ estabeleceu como meta a ser atingida em 2008 http://palavrassussurradas.net/?p=459 o julgamento de todas as ações propostas até o ano de 2005 (Tudo bem que entendo quase que impossível o alcance da meta), enquanto que o STF, analisando um Agravo de Instrumento proposto pelos defensores de Maluf (numa ação que investiga o superfaturamento de obras durante a gestão dele nos anos de 1993-1997), mostrou-se incomodado com o fato de que, depois de um ano e meio de o Supremo expedir carta de ordem para a Justiça de São Paulo, a intimação ainda não fora entregue. A ação investiga superfaturamento de obras durante a gestão do deputado na prefeitura de São Paulo, entre os anos de 1993 a 1997.

 

Se, por um lado, é lícito a qualquer réu fazer de um tudo para postergar sua própria condenação; por outro, não é aceitável que o Estado colabore para isso (mesmo que indiretamente, por meio da morosidade no cumprimento das determinações da corte mais alta do país). Referida Corte, cansada de ficar à espera da boa-vontade dos tribunais inferiores, após acirrado debate de seus ministros, decidiu por cancelar a oitiva das testemunhas arroladas.

 

O ministro Ricardo Lewandowski lamentou que a morosidade acaba levando os processos penais à prescrição (que ocorre quando o Estado perde o jus puniendi ); Ellen Gracie ironizou com o fato de que as testemunhas, apesar de não intimadas oficialmente, conheciam o fato de estarem sendo chamadas via imprensa. Cezar Peluso culpou o próprio judiciário:

 

…O ponto fundamental dessas dificuldades que a corte tem encontrado reside na verdade de que os juízos delegatórios não tomam as providências…

E, no ‘frigir dos ovos’, parece que o país continuará na mesma situação: ‘se cerca, vira hospício; se coloca uma lona por cima, vira circo’. E seguimos na impunidade.

 


 

Fonte:Consultor Jurídico

This entry was posted on Friday, March 13th, 2009 at 10:55 pm and is filed under Administração, Bizarrices do Mundo Jurídico, Direito, Direito Constitucional, Direito Penal, Direito Processual Penal, Notícias, Notícias Brasil, Política, Sociedade. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Temos atualmente 6 comentários para “STF e a morosidade da justiça: e Maluf continua impune”

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  1. 1 On March 14th, 2009, adreeawd said:
    You are right, i agree with everything you mentioned in your comment!
    :)

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    [responder]

  2. 2 On March 19th, 2009, namekuseijin said:
    É ladrão, é estilista, é funkeiro… tem de tudo, menos seriedade. É um povo bunda.

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  3. 3 On March 21st, 2009, Van Dehrer said:
    Por que ele sempre se elege? Ora, honey, ele é carismático. Se você assistiu ao CQC, pôde comprovar isso. Ele é igual a um prefeito aqui de Rio Claro/SP, de nome Nevoeiro: um vigarista, “171 furado”. Enquanto as pessoas se deixarem levar por tapinhas nas costas e favores eleitoreiros, o mau político vai continuar existindo.

    [responder]

  4. 4 On March 29th, 2009, Ramon E. Ritter said:
    Ele se elege por que “rouba mas faz”!

    Mas, veja o lado positivo: imagina se ele fosse eleito presidente do Brasil. Viveríamos em um mar de escândalos. Seriam mensalões, dinheiro desviado via agências de publicidade, milhares de cargos criados nos ministérios como cabides de emprego para correligionários, direção das estatais loteadas entre políticos incompetentes, programas governamentais que levam anos e nunca saem do papel, impostos altíssimos etc.

    Mas, felizmente, ele não foi eleito e não precisamos passar por nada disso…;)

    [responder]

  5. 5 On July 6th, 2009, Francisco Alves de Pontes said:
    Seu comentário torna patente algumas verdades:
    1ª — a voz do povo não é a voz de Deus, como se afirma. Caso contrário, políticos como Maluf jamais se reelegeriam;
    2ª — o Brasil é o país do crime, da bandalheira e da impunidade;
    3ª — o Maluf não irá para a cadeia, porque ele não é nenhum ladrão de galinha;
    4ª — a legislação que favorece a impunidade [Legislativo] e os magistrados inescrupulosos [Judiciário] são os padrinhos e madrinhas do crime e da corrupção;
    5ª — os políticos corruptos e criminosos podem continuar à vontade. Além de todos os privilégios, ainda têm o foro privilegiado [só podem ser julgados pelo STF], o que, na maioria dos casos, termina em impunidade. Salve-se quem puder!

    [responder]

  6. 6 On October 16th, 2009, Dai said:
    Saudades, caramba! :sad:
    Beijão, Fafá!
    :wink:

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